A História começou em meados da década de 1980 pelas mãos de Wanderley Bernardes, um pecuarista que saiu em busca de um local mais próximo de São Paulo para transferir o plantel de búfalos que mantinha no Vale do Ribeira. A opção do fazendeiro por Itapetininga, distante 178 quilômetros da capital paulista, originou a criação de um grande pólo de produção de bubalinos, hoje importante bacia leiteira do estado. Criador desde os anos 70, Wanderley encontrou na nova região tudo o que procurava: mão-de-obra especializada, proximidade dos grandes centros consumidores e pessoas interessadas em ingressar na atividade. "Ele dava um animal a um parceiro que queria começar e depois dividiam as crias", afirma Osmar Bernardes, irmão de Wanderley, já falecido. E foi assim, através de acordos firmados verbalmente entre cavalheiros, que a região, antes dominada pelo cultivo de frutas se transformou em importante produtora de búfalos, com destaque para os pequenos criadores.
"Nos últimos cinco anos muita gente que atuava na pecuária leiteira bovina sem muita tecnologia optou pelo búfalo, devido à rusticidade e resistência do animal", diz Otávio Bernardes, filho de Wanderley e diretor da ABCB - Associação Brasileira dos Criadores de
Búfalos. De fato, os indicadores dos búfalos são atraentes - e, não raro, melhores que os dos bovinos. Trata-se de uma espécie que contrai menos doenças que os bois, dá uma cria por ano, enquanto os bovinos dão uma cria a cada dois anos, e ainda apresentam o dobro do rendimento industrial. O sucesso do animal em terras paulistas, no entanto, não se deve somente ao seu bom desempenho em campo, mas sobretudo ao crescente consumo de
mussarela no país. "Na região Centro-Sul o aumento foi de 206% nos últimos cinco anos", diz Otávio. Nas gôndolas dos supermercados, o bubalino mais uma vez apresenta indicadores melhores que o bovino. "Como a mussarela de leite de búfala é consumida pela classe alta, dificilmente enfrenta períodos de crise como os demais produtos lácteos", diz o diretor da ABCB. E é o aquecimento da demanda por este queijo que vem dando sustentação a uma atividade recém-descoberta por pequenos, médios e grandes pecuaristas. Ainda que a história do búfalo no Brasil tenha origem no final do século 19, na Ilha de Marajó, no Pará, somente a partir da década de 80 do século passado é que a indústria de laticínios ganhou fôlego. Atualmente o Brasil mantém três milhões de cabeças de búfalos destinados à produção de carne e leite. Metade do rebanho se concentra na região Norte e o restante se espalha por praticamente todos os estados do país. São Paulo já responde hoje por 10% dos animais. Para começar, você deve:
1. Realizar o MANEJO de maneira adequada. Os búfalos possuem menos glândulas sudoríparas que os bovinos. Portanto, são animais que sentem mais calor e necessitam de espaços com sombras; se houver uma represa onde eles possam se banhar, melhor ainda. Além disso, se for preciso juntar grupos, é preciso estar atento, pois há uma grande necessidade de dominância. "Tanto os touros como as vacas brigam entre si para determinar quem manda no território", diz Renato Amaral, médico veterinário e proprietário do laticínio Di Bufala.
2. Providenciar uma CERCA elétrica. Existe o preconceito de que os búfalos são agressivos e que derrubam cercas. Isso não é verdade, mas o ideal é que o rebanho seja cercado de maneira cuidadosa. É comum a presença de alguns animais de "índole ruim". Uma cerca bem elaborada impede que eles a ultrapassem. Neste caso, o recomendado é descartar o animal mais genioso. "Os búfalos são animais
mansos, mas eles não passam fome. Se a cerca não for bem estruturada, eles a vazam em busca de comida", diz Renato.
3. Cumprir o calendário de VACINAÇÃO. As imunizações obrigatórias são contra raiva, aftosa e brucelose. Esta última é recomendada às fêmeas de três a oito meses. O búfalo é menos suscetível que o boi a doenças como carrapatos e outros ectoparasitas. Eles têm piolho, mas são fáceis de controlar e quase nenhuma incidência de berne e mosca-do-chifre.
4. Equilibrar a NUTRIÇÃO. "Afinal, o alimento é o principio de qualquer criação", diz o veterinário. Para manter o animal em boas condições ele sugere o uso do pasto no verão e de cana-de-açúcar no inverno, além de uma suplementação de matéria seca. Em geral, estes animais consomem diariamente o equivalente a 2% do seu peso, que na fase adulta é de cerca de 600 quilos. "A cevada pode ser oferecida o ano inteiro; a cana entra no inverno, quando os pastos estão secos", afirma Renato Amaral.